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O ciúme é destruidor, nos últimos dias o noticiário destacou a morte de dois jovens que não compreenderam a individualidade um do outro. A questão é qual o sentido de outro pensar que o outro é a propriedade do outro? Como entender que o rompimento faz parte da vida? Quais são os motivos morais e éticos que fazem com que os casais não aceitam o término de um relacionamento ou não aceitam o tempo do outro experimentar novas situações?

O entendimento para todas estas interrogações tem como início o rompimento com o mundo (Psicose), os sentidos são perdidos ao ponto de se transformarem em tragédias.

O ciúme segundo Freud descrito em um artigo denominado “Alguns mecanismos neuróticos no ciúme, na paranoia e no homossexualismo” é um daqueles estados emocionais, como o luto, que podem ser descritos como normais. Se alguém pensou em não possuir, é certo que o mesmo está reprimido.

Em resumo há três camadas ou graus que podem ser descritas como ciúme:

– Competitivo ou normal – Sofrimento causado pelo pensamento de perder o objeto amado, apesar de chamarmos de normal, ele não é completamente racional. A consequência deste grau é o conflito, pois a paranoia torna- se o centro nas relações, por exemplo, um homem sofria tormentos insuportáveis imaginando-se conscientemente na posição da mulher infiel.

– Projetado – Deriva-se tanto nos homens quanto nas mulheres, de sua própria infidelidade concreta na vida real ou de impulsos no sentido dela que sucumbiram à repressão. Quer dizer se o outro trai também vou trair. Uma pessoa ciumenta não reconhece essa tolerância; não acredita na interrupção ou retorno.

– Delirante – origem em impulsos reprimidos no sentido de infidelidade, mas o objeto, nesses casos, é do mesmo sexo do sujeito. O ciúme delirante é o sobrante de um homossexualismo que cumpriu seu curso e corretamente toma sua posição entre as formas clássicas da paranoia. Como tentativa de defesa contra um forte impulso sexual indevido, ele pode, no homem ser descrito pela fórmula: Eu não o amo; é ela que o ama! Num caso delirante deve-se estar preparado para encontrar ciúmes pertinentes a todas as três camadas, nunca apenas à terceira.

O psicoterapeuta Flávio Gikovate diz é importante diferenciar o ciúme sentimental do sexual. O primeiro tem a ver com o caráter possessivo, que parece um resíduo indestrutível da nossa infância. O segundo diz mais respeito às nossas inseguranças e temores de sermos trocados por alguém mais interessante. O ciúme sentimental não implica o risco de perda e sim o desejo de ser a prioridade amorosa na vida do outro.

Abaixo relatos sobre a tragédia de uma universitária morta pelo namorado que se suicidou, o primeiro relato publicado no G1 é da mãe do jovem que se matou e o outro publicado na Folha de São Paulo é do próprio rapaz:

– “Meu filho era uma pessoa muito boa, honesta, trabalhador. Eles sempre brigavam, mas voltavam. Dos dois lados, tinha ciúmes dos dois lados. ”

“Queria saber com quem ela ficou. Se eu catar ela, vou dar uns tiros nela. tô na neurose com essa menina”, segundo trecho do boletim.