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Vou abordar sobre dois assuntos o consumismo e as torcidas apaixonadas, observo há algum tempo como as pessoas ficam felizes em comprar e torcer, dá a impressão que saíram do mundo, vivem em uma fantasia eterna.

Penso que quase todos já passaram por isto, mesmo aqueles que não são apaixonados por um time especificamente, mas com certeza torceram por uma seleção, como estamos no Brasil pela brasileira. E comprar sem nenhum planejamento segundo as notícias dos jornais é de perder a conta.

Mas qual a relação emocional em consumir e torcer, as emoções não estão ligadas à razão?

Antes de analisar esta questão, vamos conceituar o que é um torcedor e um consumista.

A palavra “torcedor” é específica da linguagem brasileira, e o torcedor, fiel ao sentido original do termo, distorce os fatos e falseia a verdade. “É movido apenas pela paixão, pelo coração, pelo fanatismo, o que o impede de ter uma visão racional dos fatos, uma visão isenta e imparcial. O torcedor, na verdade, vê apenas o que lhe é favorável. Por seu amor incondicional ao clube do qual é simpatizante e seguidor, é capaz de desvirtuar as notícias a seu favor”, completa o professor Ari Riboldi.

Em relação ao consumismo, para os psicólogos e psicanalistas toda compulsão (consumismo) serve como uma forma de compensação de nossas frustrações e ansiedades. Nos entregamos ao excesso para compensar. Estamos sempre rodeados por infinitas possibilidades de satisfação, sempre à procura de novos prazeres e objetos que nos satisfaçam.

Comprar tornou-se uma necessidade orgânica. Fazer compras nos propicia um grande prazer e nos faz esquecer. O consumo é um momento de catarse. É a purificação da alma através da identificação com o objeto.

A catarse do consumo é equivalente a catarse religiosa, vou mais além entrar em um estádio e transformar-se no jogador do time de futebol, ao ponto de se matar ou matar o outro. Nos ritos religiosos observamos uma grande quantidade de descarga emocional, o indivíduo chora, ri, se deslumbra, sente alegria, êxtase, contentamento. Aristóteles foi o primeiro a perceber estes sentimentos no teatro grego, que surgiu como manifestação religiosa em homenagem aos deuses. Ele usou o termo “catarse” para expressar o efeito peculiar exercido pela história dramática sobre os seus espectadores.

Pincelando sobre a razão e emoção, Freud analisa o princípio da realidade e do prazer.

O princípio de realidade aparece secundariamente como uma modificação do princípio de prazer, tornando-se a pedra angular dos processos mentais, em particular, dos processos conscientes (Ego). Foi através do princípio de realidade, no seu confronto com o princípio de prazer, que o organismo teve que construir defesas que o protegessem dos desprazeres causado pelo mundo externo.

A primeira característica do princípio de prazer é que ele busca uma satisfação constante. É o fundamento psicológico da sociedade do consumo. Este princípio não é afetado pelo tempo, ignora valores bem e mal, moralidade, esforça-se simplesmente pela satisfação de suas necessidades instintivas. Ele é compulsivo em sua própria essência. Daí a explicação para as compulsões e a descarga emocional que os produtos da sociedade do consumo propiciam. O consumo propicia um grande prazer aliviando as tensões do dia-a-dia enfrentado por milhões de seres humanos.

O que acontece na contemporaneidade. O sujeito está tão preso ao seu objeto de consumo que se torna dependente dele.