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Como transformar mágoa em alegria? Quais os antídotos para superar ofensas que se transformaram em ressentimentos?

Estamos em uma época que para muitos é de tristeza e para outros de imensa alegria, muitos acreditam que a mesa farta, com as festas, confraternizações obrigadas, “amigos secretos”, de alguma forma apagarão aquilo que não reciclaram durante o ano, mas pelo contrário, incentivaram o afastamento de muitos.

Não podemos dizer que tais ações é de todo ruim, pelo contrário, o movimento de unir o outro culmina em conhecimento mais leve, pois a ideia de diversão produz leveza, agora o prejudicial é o individual, existem pessoas magoadas, ressentidas que aproveitam uma festa para dizer o que deveria dizer na sua terapia ou manter-se em silêncio.

O ressentido é aquele que não quer esquecer, perdoar, não deixar para trás o mal que o vitimou.

Ressentir significa sentir de novo ou profundamente ou mostrar-se ofendido, magoado. Ressentir-se significa atribuir ao outro a responsabilidade pelo que lhe faz sofrer.

A superação do ressentimento passa necessariamente pela elaboração da ambivalência: o outro sou eu, mas ao mesmo tempo o outro é aquilo que eu quero expulsar de mim – de modo que o semelhante possa ocupar um outro lugar na vida psíquica do sujeito; lugar de semelhança na diferença, que não se confunde nem com uma duplicação do eu nem com o absolutamente estranho (Kehl, 2004, p. 51).

Fonte:
Kehl, M. R. (2004). Ressentimento (Coleção Clínica Psicanalítica). São Paulo: Casa do Psicólogo