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Não faz muito tempo foi publicado nos jornais o relato de uma violência contra um morador de rua em razão desta pessoa não acatar uma ordem. Agora, quem deu essa ordem?

Se nos dispomos a pensar que sempre existem dois lados, o do abusado e do abusador, pensemos também que existe aquilo chamado do “dito pelo não dito”. Neste caso, as imagens revelam de modo insano a atitude do agressor. Por outro lado, como estar nestes lugares?

Vamos pensar um pouco sobre o morador de rua com exemplos. Na rua onde moro há um senhor, aparentemente com mais de 60 anos, que neste momento em que escrevo este texto está embaixo de chuva. Alguns meses atrás, fui conversar com ele para indicar um abrigo, e ele respondeu que prefere ficar na rua e acrescentou: “não bebo e nem fumo, todos me conhecem” e o mais incrível é o cuidado que ele tem com o seu espaço, varre, conserta as coisas que ganha, possui inclusive um carrinho de supermercado.

Por outro lado, os agentes que trabalham na rua, como policiais, guardas metropolitanos, agentes de saúde, camelôs, vendedores e outros não estão em situações semelhantes?

Há um texto interessante na internet, explicando dois grupos que vivem na rua e outro da rua:

– O Circuito Inferior, segundo Santos, é composto por “.. .atividades de pequena escala, servindo à população pobre. Está profundamente implantado dentro da cidade.” Abrange “…pequenas fábricas, pequeno comércio, incluindo vendedores ambulantes, atividades de consertos, serviços, biscateiros, prostitutas e outras atividades classificadas como anti-sociais ou tipicamente ilegais…”(17,p. 49)

Já o Circuito Superior é composto nos países periféricos pelos monopólios ligados diretamente aos países centrais, com implantação de alta tecnologia e acumulação de capital. Inclui “…bancos, comércio de exportação e importação, indústria urbana moderna, comércio e serviço modernos, bem como comércio atacadista e transportes”. (17, p. 39) Analisado por Jorge Broide

Enfim, o abuso tem um significado de dor tanto física como psicológica, não importa a idade.

Ilustração por Laion Pessôa Sobrinho