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A separação é um dos assuntos mais recorrentes nos consultórios, o início deste assunto é sempre coberto por lágrimas, arrependimentos e fracassos, mas será que os casais querem se separar, de fato, quando procuram ajuda na psicoterapia? 

A resposta é subjetiva, pois cada caso é um caso, porém a maioria não quer a separação, principalmente aqueles que convivem por muitos anos.

Para discorrer sobre este assunto com mais profundidade é importante conceituar sobre o que é o casamento.O casamento é uma instituição ou segundo o dicionário “Ato solene de união entre duas pessoas; casório, matrimônio. 2 Cerimônia que celebra vínculo conjugal; matrimônio. 3 União de um casal, legitimada pela autoridade eclesiástica e/ou civil; matrimônio”, informa o Michaelis.

Pensando que o casamento é uma instituição, há variáveis, ou seja, existe a necessidade de criatividade para a manutenção e permanência.

Mas, o casamento não é um fruto de amor entre duas pessoas? Confesso que falar de amor é um pouco mais complicado do que se imagina.

É natural que as pessoas ou pelo menos a maioria quando se apaixonam desejem ficar juntas para compartilhar, mas paixão é uma coisa e amor é outra.

No início a sensação é que tudo é maravilhoso, não há defeitos ou algo semelhante, pois a ideia é que nascemos um para o outro, mas quando se inicia a segunda fase, em que o encantamento diminui e os comportamentos e características pessoais de cada um se revelam, o amor pode ser comprometido.

A psicanálise aborda a ambivalência que de certo modo podemos aplicar no casamento, pois o amor e o ódio se manifestam, principalmente se aquilo que estava impregnado no indivíduo não mudar, isto é, muitos pensam que num casamento apenas um tem o dever de recuar em conflito, ou ainda pensar que se eu sustento a casa, não tenho mais deveres, como cuidar do filho, do cachorro ou ainda limpar a casa.

Quando a instituição não cria há a tendência de falir, o casamento não é muito diferente, quando a indiferença, a gritaria, o autoritarismo tomam conta do relacionamento o suportar esfria e a consequência é a separação.

A separação é algo terrível, pois o indivíduo não quer mais nem ouvir a voz da pessoa que tanto amava, e certamente por ser uma instituição atinge outras pessoas, como familiares, amigos e outras instituições milenares (igreja,comunidade,estado).

Em seguida o divórcio para cada um seguir o seu caminho com liberdade, é outra batalha, pois sempre há a possibilidade de uma das partes não aceitar a realidade.

A separação, o divórcio ou rompimento de laços é muito difícil, a psicoterapia é a principal mediadora para tal ação se concretizar ou não, dependendo da situação há apenas um conflito a ser elaborado para a criatividade se instalar e ajudar os casais na manutenção.

Como compreender o outro?

Vamos pensar nos relacionamentos pessoais e interpessoais, no início, a impressão é que  todos nasceram um para o outro, riem de qualquer coisa, se é uma festa todos se consideram mais que amigos, a consequência é a intimidade e a paixão, isto acontece em todas as faixas etárias. Dividindo por fases, na infância quase tudo é permitido, pois é o momento de experiências supervisionadas pelos pais, professores e outros; na adolescência há a ideia da liberdade e do medo a ser enfrentado, é a fase dos desafios;  e por fim a fase adulta, que para alguns demora a acontecer e para outros não, isto acontece em função dos vínculos, existem alguns indivíduos que corporalmente viveram as fases da infância e da adolescência, mas mentalmente e psicologicamente não, ficaram estagnados nas regras dos pais ou dos líderes, não experimentando, de fato, momentos felizes ou de angústias.

A maturidade é um processo que ocorre de formas e tempos diferentes para cada indivíduo, pois depende das suas experiências pessoais. Infelizmente as repressões robotizam os indivíduos surgindo portanto diversas doenças psicológicas. O maior transtorno é quando pensam poder resolver seus problemas psicológicos, sem a devida supervisão dos profissionais da saúde, através de improvisos, automedicação e inclusive compartilhando suas receitas para a cura.

Assim, para compreender o outro, é necessário a compreensão de si mesmo, o autoconhecimento é que nos mostra que aquilo que está no outro e que mais nos incomoda é algo que está em nós, o que a psicologia denomina projeção.

A questão é qual o sentido de outro pensar que o outro é a propriedade do outro?

Texto original aqui.